terça-feira, 2 de setembro de 2008

Despedida I


Semana passada fui cancelar minha TV a cabo que, em Portugal, se chama TV Cabo. Depois daquela burocracia básica, de dizer que estava voltando para o Brasil, que não sabia quem ia ficar com o apartamento, blá, blá, blá, consegui convencer a mocinha a fechar a conta pra mim. Pelo menos eu pensava que sim. Até atender meu telemóvel no dia seguinte:

- Bom dia.
- Bom dia.
- O senhor cancelou sua assinatura da TV Cabo?
- Sim, cancelei.
- E qual seria o motivo, senhor?
- É que estou voltando para o Brasil.
- Certo. Mas o senhor não teria interesse em continuar com a TV Cabo lá?
- Cuma?
- É, continuar com a assinatura da TV Cabo…
Pausa para meu raciocínio.
- E vocês levam o cabo até lá?
- Não, senhor… A assinatura é via satélite.
- Mas vocês têm assinatura via satélite no Brasil?
Pausa para raciocínio dela.
- Espera um minutinho que eu vou ver…
Começa a tocar Pour Elise no meu ouvido. Depois de alguns minutos, enquanto eu refletia o que me levaria a ter, no Brasil, a assinatura de uma TV que cobra 10 euros só pela Globo, ela volta:
- Desculpe senhor, mas no Brasil não tem.
- Jura?
- Sim, senhor.
- Bom, é uma pena… Mas então deixa eu te perguntar uma coisa: você me ligou para quê?
Longa pausa para raciocínio dela.
- Só um minutinho, senhor.
E a linha caiu.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A vida imita a arte


Se você possui um nível cultural elevado como o meu, com certeza já deve ter assistido à tetralogia do Máquina Mortífera. Não sei exatamente em qual dos filmes existe uma cena em que o Mel Gibson começa a mostrar suas cicatrizes de bala para a Rene Russo, que passa a competir com ele na mesma moeda. Rola aquele famoso clima de tensão sexual enquanto os dois vão levantando as roupas e despindo partes do corpo só para provar quem possui as piores marcas.

Todos os dias, nos ônibus aqui de Lisboa, cenas parecidas se repetem. Bem menos sensuais, é bom que se diga. Saem o Mel Gibson e a Rene Russo e entram as doravantes denominadas Velhinha 1 e Velhinha 2.

A competição, claro, não é entre cicatrizes de balas, pois não estamos no Rio de Janeiro. O que rola aqui é um duelo para ver quem tem as piores doenças e, consequentemente, menor tempo de vida. É uma espécie de game da terceira idade, onde os pontos são proporcionais às debilidades.

Tudo começa com a Velhinha 1 dizendo, enquanto levanta a saia: “Já te mostrei a brotoeja que apareceu na minha perna?”. No que a Velhinha 2 responde, cerrando os olhos: “Com a minha catarata você acha que eu vejo alguma coisa?”. A Velhinha 1, sem perder terreno, insiste: “Se o derrame não tivesse paralisado minha perna, eu até erguia pra você ver”. E a velhinha 2 completa: “Pior é que eu nem posso abaixar por causa do meu bico-de-papagaio”. A competição continua, com reumatismo pra cá, pressão alta pra lá, um verdadeiro duelo de titãs, onde nenhuma quer ficar pra trás.

Agora, o pior mesmo é quando uma delas invoca o Alzheimer. Depois de 10 paradas, quando já não parece mais existir outras doenças no dicionário médico, a primeira velhinha se concentra, suspira e recomeça: “Já te mostrei a brotoeja que apareceu na minha perna?”

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Discurso de vencedor


Acabo de ganhar na Euromilhões. Contenham-se meus familiares, sosseguem seus hormônios mulheres e travestis do meu Brasil varonil. Como já escrevi anteriormente, o prêmio aqui pode chegar a 150 milhões de euros. O que não é grande coisa para proletários como o Daniel Dantas e o Salvatore Cacciola, mas, no meu caso, o suficiente para perpetuar umas 2 ou 3 gerações de vagabundos.

Só que, para ganhar este prêmio, você precisa acertar 5 números e 2 estrelas (não vou explicar o que são estrelas, belê?). Eu acertei 2 números e 1 estrela e fui congratulado com exatos 8 euros e 32 centavos - se eu estivesse com quase 400 milhões de reais no bolso, quem estaria escrevendo este blog seria o Luis Fernando Verissimo e você perceberia a diferença.

Bom, claro que já comecei a fazer planos para a bufunfa e não me faltam opções. Posso encher o tanque da minha Vespa, comer 4,3 pastéis de Belém, tomar 3,2 chopes no Bairro Alto ou pegar um táxi para o aeroporto e fugir daqui.

Mas, pra falar bem a verdade, o prêmio me deixou meio deprimido. Sempre tive medo da sorte. E não é porque se parece com a palavra “morte”, como imaginaria um chinês cagalhão. Eu tenho medo é de torrar minha sorte com bobagens. Vou dar um exemplo: quando era pequeno, meus pais ajudavam bingos beneficentes, fazendo as doações das prendas. Me lembro que uma vez voltei pra casa com 5 prêmios, 4 dos quais doados por eles. Inclusive uma calculadora científica, a mais desejada da noite. Lógico que ainda levei esporro no carro.

E este é exatamente o meu medo. Ter gastado minha sorte em doses homeopáticas, juntando quinquilharias. Eu não quero 20 troféus Maria Quitéria, quero o mundial interclubes. Não quero 8 prêmios colunistas, quero um leão de ouro. Não quero as trigêmeas da Playboy, tá, péssimo exemplo, mas já deu pra entender.

O meu grande medo, a partir de hoje, é conferir o resultado do próximo sorteio. A pior coisa que poderia me acontecer seria acertar os 3 números mais a estrela que faltaram nesta semana. Eu provavelmente passaria o resto da vida fazendo contas na minha velha calculadora científica, pensando como teria sido maravilhoso se minha sorte fosse cumulativa.

domingo, 3 de agosto de 2008

Leitura dinâmica


Ler em português daqui é uma experiência esquisita. Me dei conta disso logo na minha primeira semana, ao comprar um livro do Paul Auster, um dos meus autores preferidos. Não consegui chegar nem na metade. Até dava pra perceber o Paul Auster ali, mas ele falava parecido com aqueles personagens de novela de época da Globo. Não rola.

Desde então passei a comprar livros de autores brasileiros, obviamente sem tradução. Pra minha sorte, aqui perto de casa tem uma livraria gigante, com uma prateleira dedicada exclusivamante à literatura brasileira. Como não são baratos, comecei a adotar o hábito de ler várias páginas na livraria, para ter certeza de que valia a compra. Cheguei a passar meia hora lendo um livro. Curti, trouxe-o pra casa e acabei de ler em menos de 1 hora. Me senti lesado. E foi aí começou o meu problema. Voltei na semana seguinte e, de lá pra cá, já foram 2 livros lidos completamente dentro da livraria.

Sei que eu deveria me sentir mal, mas tudo é questão de ponto de vista. Pensei nas árvores que tiveram que cair para que o livro fosse publicado, no petróleo utilizado para transportá-lo até aqui, no tempo de decomposição da capa plastificada e demais desdobramentos. Como diz o Capitão Nascimento, quem consome é que financia esta merda. E não dá pra negar que, no caso dos livros, ler sem comprar é bem mais eficiente que fumar e não tragar.

Claro que tem o lance os direitos autorais, que eu acho mais do que justo. Por isso, munido de alta sensibilidade ética, só recomendo fazer isso com autores que já morreram. Daí o peso na consciência é zero. Em tempos do ecologicamente correto, nada como ser um filho da puta sustentável.

Comunicado Importante


Das 8 pessoas que lêem este blog, um percentual altíssimo já reclamou: “Pô, você só mete o pau em Portugal!”. Acho que vale um esclarecimento, sempre em nome da minha pequena e infiel audiência. Sou redator publicitário. Isso significa que me pagam pra falar bem de tudo, como facas que cortam sapatos e meias que não desfiam com arranhões de gato. Aliás, a tendência é sempre para o exagero: um banco que não quer o seu dinheiro, apenas o bem do planeta. Produtos de beleza que valorizam você e salvam índios na Amazônia. Até musiquinha insuportável pra vender margarina eu já fiz. Então, se você quer que eu fale bem daqui, pode anotar: banco 237, Ag. 1221, c.c. 21834-7. Me manda o comprovante de depósito que eu escrevo o que você quiser. Falo bem de taxista, digo que o inverno daqui é uma delícia, provo até que pastel de Belém emagrece. Numa tranquila, numa relax, numa boa. Afinal, se eu tivesse um pingo de caráter, teria procurado outra profissão e hoje seria advogado dos Nardoni.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Apertem os cintos


Aconteceu comigo. Não foi com um amigo de amigo nem com um primo meu do interior.

Outro dia eu peguei um vôo da TAP, a companhia aérea portuguesa, pra quem não sabe. Como sempre, entrei na aeronave, achei minha poltrona, coloquei a bagagem em seu devido lugar e me sentei com um livro para me distrair na viagem. Até aí, beleza. Mal abro o livro e começo a reparar na musiquinha em ritmo de bossa nova que toca dentro do avião. Ainda não encontrei a letra inteira na Internet, mas juro que dizia algo como: "blá, blá, blá, coração... Que é bobagem quem tem medo de avião... É bobagem quem tem meeeeedo de aviãããão!" Tô muito enganado ou é o mesmo que falar de corda em casa de enforcado?

Na boa, eu até entendo que a mensagem da tal musiquinha é positiva. Mas pra que chamar atenção pro problema? Quem teria a idéia de dar um daqueles quadros com diferentes nós de marinheiro pra família do cara que se esfolou na forca? Quem é que pergunta pra família, na véspera de 21 de abril, se eles vão enforcar o feriado de Tiradentes? Pelo amor de Deus, gente. Um pouco mais de bom senso, né?

Do jeito que as coisas andam, não vou ficar nem um pouco surpreso se, no próximo vôo, olhar para o menu de filmes de bordo e tiver que escolher entre "Vivos", "Vôo 93", "Sobreviventes dos Andes" ou "Skyjacked". Claro, mas sempre podendo optar também por uma boa série como "Lost".

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Corta!


Cinema, aqui em Portugal, tem intervalo. Não, esta não é uma introdução de piada sobre o cinema do Manuel ou do Joaquim. É a mais pura verdade, apesar de não ser regra geral para todas as salas. Mas acontece.

Fico imaginando quem teve esta brilhante idéia. Na certa, algum marqueteiro preocupado em aumentar as vendas de pipoca e chicletes (que aqui se chamam "pastilhas elásticas"). Só pode ser isto.

Você até pode argumentar: "Ah, e se eles estavam preocupados com os velhinhos que sofrem de incontinência urinária?". Sinto desapontá-lo, mas não pode ser. E eu explico. Aqui perto de casa tem um shopping com umas 10 salas de cinema. Em mais da metade tem o tal intervalo, de exatos 7 minutos. Isso mesmo, 7 minutos ou 420 segundos. Tempo suficiente para ir ao banheiro, caso o cinema tivesse um. Mas não tem. Você sai da sala e tem que correr pelo shopping até o banheiro mais próximo. Eu, apesar de estar sempre acima do peso, ainda não tenho dificuldade de locomoção e precisei andar em ritmo de marcha olímpica pra pegar o reinício do filme. Pense bem: três minutos para chegar ao banheiro, 50 segundos pra urinar, 10 pra chacoalhar e pode esquecer de lavar as mãos, porque você vai precisar dos mesmos 3 minutos para voltar. Sacanagem comigo e maior ainda com os velhinhos.

É óbvio que os intervalos foram criados por causa da pipoca, que fica a menos de 15 segundos da sala e pertencem ao mesmo proprietário. Minha única e solitária saída é não comprar. Só assim você consegue derrotar os marqueteiros cabeças-de-bagre, mostrando que a estratégia não funciona. É por este mesmo motivo que nunca comprei nada por telemarketing e nem anunciado no intervalo do Big Brother. Quem sabe, um dia, tudo isso acaba.

A única coisa que me permito, nesta situação, é aceitar a pipoca do meu vizinho de cadeira. Que nunca me ofereceria se soubesse que, para estar de volta em 7 minutos, eu certamente tive que abrir mão da água e do sabonete líquido.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Manchetes


Se meus cálculos estiverem certos, já faz quase um ano que vim pra Portugal. Ainda me lembro de ler, logo no primeiro dia, uma manchete de jornal que me chamou a atenção. Era sobre o caso Maddie, que eu até então desconhecia, da tal filha de um casal de ingleses que sumiu em Portugal, ninguém sabe, ninguém viu, os pais choraram, pediram a benção do Papa, depois foram tidos como suspeitos pelo assassinato e, bom, você sabe qual é. Comentei a notícia com um amigo que já morava aqui e ele me disse: "Porra, já faz seis meses que isso aí é manchete de primeira página em Portugal".

Na semana passada, qual não foi a minha surpresa ao ver, na mesmíssima primeira página, uma manchete do caso de novo. Pensei que tinham chegado finalmente à alguma conclusão, mas estava errado. Parece que o CSI Lisboa não tem progredido muito no assunto. Pensei alto: "puta bosta de país onde as notícias não mudam".

No mesmo dia, liguei a TV Globo Internacional da minha casa - pela qual pago 10 euros por mês pra ver o Faustão e a ararinha-azul no Globo Repórter - e vi a notícia do João Roberto, morto pela PM. Hoje de manhã, assisti novamente ao jornal, mas a notícia já era outra: de um camelô morto e sua filha baleada numa troca de tiros com a polícia. E o pior: entre estes dois casos, já havia mais um assassinato da PM carioca.

Puta bosta de país onde as notícias não mudam.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Moda em Lisboa


Não entendo picas de moda. Sou um daqueles sujeitos que não sabe diferenciar uma Louis Vuitton falsa de uma Prada original (e que só consegue escrever corretamente "Louis Vuitton" depois de recorrer ao Google).

Por isso, não sabia sequer por onde começar um texto sobre a moda em Lisboa, cidade onde moro há pouco mais de 6 meses. Cercado de dúvidas, resolvi sair às ruas com um olhar mais atento e uma prancheta na mão para ver o que eu encontrava.

Depois de uma pesquisa exaustiva, cheguei à conclusão mais óbvia de todas: se existe algo que está na moda por aqui, é o bigode. Há uns 500 anos, é bem verdade, como você pode comprovar em qualquer ilustração nos livros de história. Mas o tempo passou e eles continuam aqui, mais firmes e fortes do que nunca, ornamentando rostos de causar inveja ao Groucho Marx.

Dizem que o português é um inglês que parou no tempo. Eu diria que é um inglês que parou de se barbear.

Basta andar pelas ruas para notar pessoas das mais diversas idades usando diferentes modelos de penugem, que podem adquirir desde formas mais simples, como as piramidais, até estilos barrocos, cheios de curvas milimetricamente tosadas e enroladas.

Claro que esta característica é mais presente em algumas categorias, como 93,4% dos policiais e 102% dos taxistas, por exemplo. Mas, na média, não se pode negar que os bigodes são bem mais comuns aqui do que em qualquer outro lugar do mundo.

E parece que a moda anda se espalhando por aí. Uma das principais revistas daqui publicou, há algumas semanas, uma matéria falando sobre a presença cada vez maior de bigodes nos Estados Unidos e outros países onde, até pouco tempo, eles seriam motivo de chacota.

Não deixa de ser uma vitória ver um dos ícones mais famosos dos portugueses se transformando num modismo global. Acho que esta é a principal vantagem de manter o mesmo costume por séculos: mais cedo ou tarde, você volta a ser "in", como as calças boca-de-sino e as pochetes (dudida? Espera só pra ver).

Neste momento, um leitor mais irônico deve estar se perguntando: e as portuguesas, hein? Bom, não posso negar que existem algumas que fazem jus à fama. Mas o fato é que a globalização chegou, propagando para os quatro cantos do planeta invenções revolucionárias como as nossas sandálias de borracha e a depilação brasileira. Outra moda que, ao que tudo indica, veio mesmo para ficar. Para o bem de todos e felicidade geral da nação.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Recolocação profissional.


Tem que dirigir rápido.
Tem que ser barbeiro.
Tem que estar sempre mal-humorado.
Tem que reclamar o tempo todo da vida.

Acabo de me tocar que o Rubinho possui todas as qualificações profissionais para ser motorista de táxi em Lisboa quando se aposentar.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Trash 80's


Muita gente me pergunta como é a propaganda aqui em Portugal. A melhor definição que me ocorreu até agora foi: pegue um anúario do Clube de Criação da década de 80, abra numa página aleatória e, muito provavelmente, você estará diante de uma bela peça atual daqui.

Em geral, acho que a propaganda aqui está com 2 décadas de atraso em relação à nossa. Claro, com algumas louváveis exceções que se equiparam às melhores campanhas do mundo e faturam os mais cobiçados prêmios. Mas, infelizmente, quase tão raras quanto o cometa de Halley.

A quantidade de trocadilhos que fazem parte da comunicação de grandes empresas aqui é descomunal. Não vou fingir que, toda vez que eu pegava a rodovia dos Imigrantes rumo à praia, não via um gigantesco outdoor com o título "Sil ou não?" saltar aos meus olhos. Um trocadilho infame capaz de corar até o mais fervoroso fã do José Simão.

Mas uma coisa é uma fábrica de fios e cabos elétricos que anuncia nas mesas redondas de domingo, para telespectadores que estão dormindo ou bêbados no sofá. E outra são os maiores anunciantes daqui.

O case que eu mais gosto é da Super Bock, a maior cerveja de Portugal. Pra mim, os caras são ninjas do 8º dan. Alguns exemplos: num cartaz, vemos uma garrafa de cerveja com óculos escuros ao lado do título "Ray-Bock". Em outro, vemos uma garrafa com o rótulo recortado em formato de biquíni e a palavra "Bockini". Na porta do cinema, um cartaz diz: "Bock to the future". Para divulgar uma promoção de 3 cervejas no Rock in Rio, outro cartaz enuncia: "Bock in trio". E por aí vai.

Mas não pense que a Super Bock é exceção. A maior empresa de telefonia acaba de lançar uma TV a cabo, com o nome de Meo. O slogan? "O mundo é Meo", óbvio. Sem falar na loja de eletrodomésticos que mais anuncia aqui, chamada Worten. E adivinhe o slogan? "Worten sempre". Juro. Sem sacanagem.

Meu único alívio é ver a propaganda angolana, que é veiculada em alguns canais a cabo e acaba sendo transmitida para cá também. Hoje mesmo eu quase chorei de rir com uma, de uma espécie de crédito habitação ou algo que o valha, cuja slogan final era: "É grande porque é angolano".

E tem gente que ainda paga-pau para o humor inglês...

sábado, 19 de abril de 2008

Meu filho vai ser juiz.


Antigamente eu dizia que, no primeiro aniversário do meu filho hipotético, eu daria uma raquete de tênis para ele (ou ela, sem preconceitos).

Claro que tem muito pai que sonha que o filho seja o melhor advogado ou médico do mundo mas, convenhamos, até que eles comecem a te bancar leva muito tempo. Um moleque ou uma garota boa de tênis é capaz de sustentar os pais já aos 16 anos, como as Sharapovas da vida estão aí para provar (o problema de ter uma Sharapova em casa deve ser bem diferente...)

Mas uma coisa me fez repensar no assunto. Na minha casa, eu sempre senti uma certa pressão para me tornar engenheiro. Cheguei a suportar uma faculdade de engenharia durante 23 dias e 2 horas. Arreguei. Felizmente, meu irmão mais velho estava lá para livrar minha barra mais uma vez e se tornar o engenheiro da família.

Bom, assim como não achava justo ter que estudar cálculo e mecânica dos fluidos por vontade alheia, também não quero colocar na minha prole a pressão de treinar 10 horas por dia, não beber, não fumar, desenvolver mais a musculatura do lado direito e demais sacrifícios que os profissionais do tênis se sujeitam. Sobretudo com o enorme risco de que, com o meu DNA, mesmo com este esforço hercúleo eles nunca consigam ir muito longe.

Por isso, assistindo ontem à uma partida de tênis, cheguei a conclusão: quero que ele seja juiz. Claro, não um coitado de um juiz de futebol, que apanha dos jogadores, das torcidas e da mãe quando vai visitá-la no domingo. Quero que meu filho seja juiz de tênis.

Sinceramente, acho que não existe profissão melhor. Pra começar porque o cara não precisa ter preparo físico algum, já que, durante todo o jogo, não levanta muito a bunda da cadeira. Depois porque pode ele ver ali, bem de pertinho, os melhores jogadores do mundo, numa posição que nem os camarotes de 20 mil dólares dão direito. Mas a boiada não pára por aí. Se um juiz de futebol, vôlei ou bocha erra uma marcação, ele é um filho da puta. Ao contrário, se isso acontece com um juiz de tênis, ele é avisado pelo juiz de linha, levanta a sua bunda gorda, vai lá, finge que viu a marca da bolinha na terra e pronto, volta atrás na decisão, sem stress.

Um juiz de tênis não decide uma partida com um pênalti, não é cercado de repórteres depois do jogo, não é criticado por outro juiz aposentado que analisa tudo da sua plasma de 40 polegadas no camarote. E ainda tem a chance de viajar pelo mundo todo, ganhar um dinheiro respeitável e olhar por baixo daqueles shortinhos das russas. Acho que qualquer filho agradeceria por uma vida assim.

Bom, mas não pense que estas reflexões todas são por acaso ou apenas para encher linguiça num blog. É que, de algum jeito, eu tinha que usar aquela fotinho ali em cima pra dizer que ontem fui ver um jogo do Federer.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Comentários reais. Ou: Coisas que parecem uma merda mas são exatamente o contrário.


Ao abrir a geladeira: "Tô meio enjoado destas cervejas de abadia..."

Ao chegar em casa: "Hoje foi foda. Levei quase 15 minutos da agência até aqui!"

Ao olhar meu extrato: "Porra, este mês torrei uma grana em livros."

terça-feira, 8 de abril de 2008

300 segundos.


Semana passada fui à Madrid. A viagem demora pouco mais de 1 hora de avião e, lá, a diferença de fuso é de 1 hora em relação à Lisboa. Na prática isso significa que eu saí de lá as 6 horas da tarde e cheguei aqui as 6:05. Uma merda saber que por míseros 5 minutos eu não viajei no tempo.

A ordem dos fatores.


Entro no táxi.
- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Eu queria ir na Rua de Campo de Ourique na esquina com a Ferreira Borges.
Pausa do taxista para reflexão.
- Daqui é muita volta. Só se eu deixar você na Ferreira Borges com a Campo de Ourique.
Pausa minha para saber se era piada. Táxi parado. Deve ter sido sério.
- Tá, pode ser. De lá eu me viro.