terça-feira, 8 de abril de 2008

A ordem dos fatores.


Entro no táxi.
- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Eu queria ir na Rua de Campo de Ourique na esquina com a Ferreira Borges.
Pausa do taxista para reflexão.
- Daqui é muita volta. Só se eu deixar você na Ferreira Borges com a Campo de Ourique.
Pausa minha para saber se era piada. Táxi parado. Deve ter sido sério.
- Tá, pode ser. De lá eu me viro.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ao contrário de todos os indícios.


Engov não é remédio.
Rinite não é doença.
Brownie não é comida.
Mini Cooper não é automóvel.
Macintosh não é computador.
Havaianas não é calçado.
Helicóptero não é meio de transporte.
Haagen-Dazs não é sorvete.
Sharapova não é tenista.
Tudo isso pra retificar o que escrevi num post abaixo: eu tenho uma Vespa, não uma moto.

domingo, 30 de março de 2008

Schadenfreude.


Schadenfreude é uma das 7 palavras em alemão que eu conheço. Ao pé da letra, ela pode ser traduzida como "satisfação malévola". Mais precisamente, corresponde àquela alegria que temos com a desgraça alheia. Rir de uma videocassetada, por exemplo. Um sentimento bem pouco nobre, convenhamos, mas impossível de negar, mesmo para os alemães.

Não vou mentir que não tenho saudades de São Paulo. Ultimamente, sinto falta até de coisas que nunca imaginaria, como feijão, prédio com porteiro e, perdoe-me Senhor, de jogo da seleção com narração do Galvão Bueno.

Mas também não posso esconder a alegria que sinto toda vez que, perto da hora do almoço aqui, vejo as manchetes do UOL falando sobre os congestionamentos da manhã em São Paulo e dos novos recordes que estão sendo batidos mais rapidamente que nas piscinas australianas.

Sei que não deveria admitir isto, já que em pelo menos 100 daqueles carros estão pessoas que eu não desajaria sequer um farol vermelho na vida. Mas a verdade é que uma alegriazinha me invade toda vez que acesso o site e compartilho a informação com as pessoas da minha mesa, que não entendem nem minha alegria e muito menos pra que tantos carros.

E você também não precisa ficar ofendido, mesmo sendo umas destas 100 pessoas que eu falei. Se quiser descontar, basta entrar no Weather Channel e ver as temperaturas daqui nesta época do ano. Vai lá. O sorrisinho que aparecer no canto da sua boca, meu camarada, não se pode negar: é schadenfreude. E do bom.

sábado, 29 de março de 2008

Parcialmente nublada.


Tem dia que eu tô deprê. Tem dia que eu tô eufórico. O problema é que, geralmente, o dia é o mesmo. E isto não tem nada a ver com Portugal, porque no Brasil era a mesma coisa. A diferença é que, por aqui, eu não me sinto sozinho.

No último domingo, saí de casa para aproveitar o Sol e fui pegar minha moto que fica amarrada num poste a meia quadra daqui. Tirei o cadeado e percebi alguns pingos caindo. Quando olhei para o céu, estava completamente nublado. Cinza de dar inveja aos céus de São Paulo. Beleza. Voltei pra casa, deixei o capacete e resolvi ir à pé. Assim que abro a porta da rua, ele está lá, pronto pra me sacanear: o Sol. Não uma frestinha de Sol, ele inteiro mesmo, no meio das nuvens. Óquei. Resolvi ir à pé, pra não arriscar. Uns 10 minutos depois, quando cheguei no destino, não pude deixar de amaldiçoar minha decisão ao ver que o céu estava completamente azul. Céu de brigadeiro, como a gente diz no Brasil. No mesmo dia, pelo que me lembro, choveu mais umas 2 ou 3 vezes. Tudo isso só veio confirmar minha teoria: São Pedro, aqui, também é bipolar.

quinta-feira, 6 de março de 2008

10 razões pelas quais Portugal nunca será campeã do mundo.


1. Os locutores esportivos não gritam Gol.
2. Quando elevam a voz, os locutores esportivos falam “Golo” e não “Gol”.
3. Os torcedores levam cachecóis para o estádio.
4. Os torcedores acham que o Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo.
5. Os comentaristas acham que o Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo.
6. As velhinhas que não assistem futebol acham que o Cristiano Ronaldo é o cara mais lindo do mundo.
7. 99,7% da população chama o Felipão de burro.
8. Todo mundo comemora quando Portugal fica entre os 4 primeiros.
9. O Euzébio já se aposentou.
10. O Pelé já disse que Portugal seria campeã.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sabe das novas?


Mesmo morando longe, é natural que eu me interesse pelo que acontece no Brasil. Aquelas coisas básicas: como está o Inter no campeonato gaúcho, quantos quilómetros de congestionamento houve esta manhã em São Paulo, quais morros foram invadidos no Rio e qual a última do Lula em Brasília.

Em vez disso, entro nos Uóis, Estadões e Terras da vida e encontro manchetes como “Marcos sente dor no braço e recebe remédio”, “Natália diz que está com bolinhas pelo corpo todo”, “Marcelo afirma que levaria Galego para ilha deserta” e “Meu silicone está duro", diz Thatiana à Natália”.

Se fosse na Globo.com, beleza, eu até entenderia. Mas infestar esta maravilha tecnológica chamada World Wide Web com notícias do Big Brother já é um pouquinho exagerado.

Por isso, se você caiu nesta página através de algum mecanismo de busca porque estava procurando o “Rafinha e Juliana tomando banho”, os “peitos da Natália” ou o “Marcelo imitando uma galinha manca”, azar o seu. A culpa destes sites publicarem tantas bobagens é tua. É você que financia esta merda. Seu maconheiro. Viado.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Acabo de descobrir...


Que a janela da minha sala tem vista para o Image Bank.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Nossa língua portuguesa.


Não entendo e nem estudei picas sobre a reforma da língua portuguesa, mas já sei que sou absolutamente contra. Basicamente porque me oponho radicalmente a reaprender qualquer coisa que já me ensinaram como correta um dia.

Pra mim, Plutão é um planeta, pombas são inofensivos símbolos da paz, a energia nuclear deve ser banida do mundo e contra-regra sempre terá hífen. E fim de papo.

De qualquer maneira, já que a mudança é inevitável, resolvi dar a minha fundamental contribuição neste assunto. Depois de alguns meses morando em Portugal, me vi obrigado a aprender palavras tão bizarras quanto ecrã, autoclismo, estafeta, diospiro e cona, por exemplo.

Mesmo que você não tenha a menor idéia do que elas significam, é bem fácil perceber que deveriam existir sinônimos melhores. E sua certeza só aumenta depois que você descobre o que realmente são: tela, descarga, motoboy, caqui e vagina (na versão chula), respectivamente. Todas palavras úteis com as quais você terá maior ou menor contato no seu cotidiano - aí vai do gosto de cada um.

Não sei se ainda dá tempo de incluir minhas sugestões na reforma, mas acho que seria um esforço útil. E, caso Portugal exigisse uma espécie de compensação linguística, poderiamos trocar, sei lá, a palavra "chulo" pela equivalente em português daqui. Eu não tenho a menor idéia de qual seja, mas aposto que é muito mais gira.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Seria cômico se não fosse comigo


Mais uma bela manhã em Lisboa. E aqui não há ironia alguma porque, mesmo com o frio, o Sol fingia ser verão no céu mais perfeito que já vi.

Vou pegar meu carro alugado para o Reveillon, que parei na rua na noite anterior. Abro o carro e logo vejo o proprietário de uma loja de motos, do outro lado, gritando comigo:

- Ah, finalmente chegou...

- Aconteceu alguma coisa?

- Ninguém aqui pode trabalhar por sua causa! Você não viu a placa!

Olho para trás e realmente percebo uma placa (aliás, duas) dizendo que trata-se de uma área exclusiva para motos, entre as 8 da manhã e 6 da tarde. Logo me desculpo, como qualquer um faria:

- Mil desculpas, realmente eu não tinha percebido, foi uma falha, desculpa mesmo atrapalhar vocês.

Ele me escuta, mas parece não registrar.

- Ninguém trabalha aqui por sua causa!

- Eu sei...Tô vendo agora, realmente vocês têm razão, eu peço mil desculpas, mil desculpas mas não vi a placa.

- Não viu? Você tá cego?

- Se eu tivesse visto, teria tirado meu carro antes das 8 da manhã. Desculpa. Eu não vi mesmo.

Daí vem a provocação:

- No Brasil vocês não têm isso, não?

- Sim, temos, mas eu realmente não vi.

Sem me dar chance de resposta, ele continua:

- É, acho que não existe não.

- Existe. Mas lá também existe se desculpar por um erro que você cometeu. Por isso tô pedindo desculpas.

Neste momento, acho que a discussão finalmente vai ter fim. Mas ele não desiste fácil:

- A gente aqui sem trabalhar! Você não trabalha pelo jeito, né?!

- Trabalho sim, numa empresa portuguesa, inclusive.

- Então tá atrasado porque são 10 da manhã!

- Sim, são 10 da manhã mas eu não tenho hora certa pra chegar.

- Ah, não tem hora pra chegar. Eu queria um trabalho assim!

Eu, que sou mané mas não sou burro, neste momento já entrei no carro e travei as portas. Então abro a janela e digo:

- Da próxima vez, você estuda.

E assim escrevo mais um capítulo na guerra dos brasucas mal-educados X tugas mal-humorados. Que, no fim das contas, é só uma questão de ponto de vista.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

O pior dos dois mundos.


Não ter calor (nem mar) pra pular ondinhas.
Não ter frio suficiente para nevar no Natal.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O dólar psicológico


Mesmo quem nunca viajou para o exterior sabe que existe um dólar oficial e um paralelo. O que pouca gente já se deu conta é que há uma única moeda realmente relevante ao turista: o dólar psicológico.

Ao contrário das suas outras versões, o dólar psicológico não flutua com o humor do mercado, o nível do investimento imobiliário norte-americano ou as intervenções do Banco Central. Depende apenas do momento psicológico do comprador.

Vamos a um exemplo prático: sua esposa viaja e encontra aquela bota de couro, igualzinha as outras 12 que ela tem, por US$ 65. Neste exato momento, pelas contas dela, a bota custa menos de R$ 100, o que indica uma cotação de cerca de 1,5 reais por dólar.

Você até pensa em se intrometer, mas logo percebe que, pela lógica, aquele Blackberrry de US$ 299,99 sairá por menos de 450 reais. Uma pechincha.

Isso acontece, basicamente, em todo o momento de compra de um brasileiro no exterior, principalmente na frente de gêneros de primeira necessidade como botas de couro e Blackberrys.

Mas o dólar psicológico também tem disparadas repentinas. É o caso, por exemplo, de quando você vê um produto brasileiro numa vitrine ou prateleira. Uma garrafa de pinga que custa 22 dólares equivale a quase 50 reais, elevando a cotação para 2,27. Uma Havaianas de US$ 40 equivale a praticamente 100 reais (o mesmo preço da bota de US$ 65,00, veja você).

Morando em outro país você acha que vai perder este vício, já que não apenas gasta, como também ganha em outra moeda. Engano seu. Faz quatro meses que estou em Lisboa e ainda me surpreendo ao ver que um PF com bife custa exorbitantes 25 reais, enquanto um prato de bacalhau sai por módicos 15. Mesmo sabendo que ambos levam 7 euros da minha carteira.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Heróis Portugueses


Talvez você não saiba, mas os portugueses têm a capacidade de enxergar o futuro. Não se trata de nenhum grande poder, como um fã de Heroes poderia imaginar, já que esta habilidade os capacita apenas a ver os acontecimentos 1 ou 2 segundos antes de se tornarem realidade.

É isto que explica, meu caro leitor (o singular aqui não é por acaso), o fato de ter sempre um português buzinando atrás de você antes mesmo do semáforo abrir. Mas, é claro, a culpa não é deles. É do restante da população mundial, que só consegue enxergar a luz verde no exato momento em que ela aparece.

O mais curioso é que, apesar deste comportamento, outra coisa muito comum aqui é ver carros parados no meio da rua, interrompendo o tráfego pelos motivos mais banais: um afago no cachorro do amigo, uma compra rapidinha na pastelaria, uma conversa sobre a artrite que piorou com o frio. E, nestes casos, ninguém parece se incomodar muito.

Acho que eles precisam economizar cada milésimo de segundo nos semáforos para poder, no fim do dia, esperar um tiozinho, parado no meio da rua, descarregar as 130 caixas que acabou de trazer da Ikea.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Golpe Internacional


É tudo muito simples. Primeiro você liga o rádio do carro e ouve uma música do Chico Buarque. A partir de então, ela fica registrada no seu subconsciente.

Sem se dar conta, você passa perto de uma livraria cantarolando a música e é sugado pra dentro. Quando percebe, já está na frente da prateleira segurando um exemplar de "Budapeste" e resolve dar uma segunda chance ao escritor inquilino do músico.

Você devora o livro e se encanta pela cidade que, só depois, descobrirá ser desconhecida pelo autor.

Passam-se alguns meses e chega sua época de férias. Você abre o armário procurando um guia de viagens e dá de cara com o livro. Gosta da idéia de conhecer um país diferente e resolve passar uns dias na Zona Leste.

A cidade é mais do que você imaginava. A irmã quase tão linda quanto Praga, só que bem mais gostosa. Você visita a cidade e se arrepende de ter perdido tanto tempo com a irmã linda e chata.

Se despede do lugar, entra no Free Shop e é aí que o golpe acontece.

Ao colocar a mão no bolso, vê que sobraram alguns Forints, a moeda local. Você olha para os lados e avista uma garrafinha verde, bonitinha, um licor típico da Hungria. Bingo, você achou algo para presentear os amigos.

Só quando volta para casa é que percebe o erro. Você abre uma das garrafas, coloca o líquido num copinho e senta-se para degustar. Sente o aroma, dá um gole e aí, bom, e aí teme ter trocado a garrafinha por veneno de rato.

Pense no pior vômito que já passou pela sua garganta. Imagine-o gelado e passando no sentido inverso. Pronto, este é o Unicum.

Não pesquisei a história, mas algo me diz que foi uma bebida desenvolvida pela polícia comunista para torturar e matar sem deixar vestígios.

Só resolvi escrever sobre isso porque, há mais ou menos uma semana, um amigo aqui da firma chegou de lá contando exatamente a mesma experiência. Ele também não sabia o que fazer com aquilo. Pensou em usar como desentupidor de pia, mas ficou com pena dos canos.

Em "Budapeste", Chico diz que a língua húngara é a única que o diabo respeita. Se tivesse ido mesmo pra lá, saberia que ele também respeita uma bebida, que faz questão de servir como aperitivo para as visitas.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Aviso aos Navegantes


Na minha opinião, esta manchete deveria ser uma frase obrigatória, do tipo "o Ministério da Saúde adverte", colocada em todo pastel de Belém, travesseiro de Sintra e demais doces com calorias superiores a 3500. Algo bem mais comum por aqui do que um turista magro e desavisado pode imaginar.

O primeiro Mupi a gente nunca esquece.


Quando você chega aqui e pega seu primeiro job, vê que, entre as peças que precisa criar, existe um troço chamado Mupi. Como toda mídia desconhecida, você ignora, faz a campanha e, depois de aprovada pelo cliente, vê como adaptar.

Bom, pelo menos esta é a sua idéia. Porque a primeira pergunta que seu Diretor de Criação faz, antes mesmo de você falar o conceito, é: “Como vai ser o Mupi?”

Mupi nada mais é do que o mobiliário urbano. Basicamente aqueles cartazes que são colocados em pontos de ônibus, bancas de jornal, etc. Aqui, eles são mais importantes do que qualquer outra coisa impressa. É a página dupla da Veja. O outdoor da Faria Lima. O bottom no peito da estagiária siliconada. Maior visibilidade, impossível.

Esse aí em cima é o meu primeiro Mupi, que rolou há algumas semanas, para divulgar um novo jornal grátis. A campanha inteira é composta por frases irrelevantes, iguais àquela ali.

Como em todo trabalho, você faz um monte de títulos e só alguns saem. Mas você jura de pés juntos que todos foram veiculados. Bom, aí vão todos os que saíram nos mupis, jornais e revistas daqui. Juro.

• Os dinossauros não correm mais risco de extinção.

• Se Camões estivesse vivo, seria um milagre da natureza.

• Cachorros latem. Gatos miam. Camelos não.

• Se uma borboleta bate as asas do outro lado do mundo, ela deve estar voando.

• De cada 2 pessoas, 1 é a metade.

• Se nada acontecer, daqui a 10 anos estaremos em 2017.

• As 7 maravilhas do mundo são em número ímpar.

• Se todos os chineses pulassem ao mesmo tempo, um deles poderia torcer o pé.

• Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns só uma vez. (Esta nem funciona pra campanha, mas eu gosto muito).